A caverna de cada um

Escrito por Coversando com Educação. Publicado em Blog.

Acabamos de acompanhar todo o processo de resgate dos meninos da Tailândia, que foram pegos de surpresa por adversidades climáticas. Tiveram que, obrigatoriamente, se abrigar numa caverna  para sobreviver. Para fugir dos perigos de inundação foram, cada vez mais, se afastando do ponto de origem.

A dura realidade mobilizou o mundo. Quem não sofreu com eles? 

Qual professor e quantos pais não se viram aprisionados naquela caverna? 

Sabemos o quanto é importante o vínculo afetivo na figura do adulto, a confiança na relação do grupo e o poder da fé e esperança. 

Podemos supor que esse grupo tem qualidades muito especiais! O que vimos foi: calma, paciência, resistência física, inteligência emocional,  autocontrole, obediência diante da diversidade e muita resiliência. E na pureza da infância e no protagonismo da adolescência,  jovens tiveram que superar medos, a fúria da natureza em prol da vida! Haja maturidade! Haja força! Haja confiança! Haja controle! 

Esse acontecimento trouxe uma dura lição de vida para todos nós!

As mais diversas contribuições surgiram sem ninguém pedir nada em troca.  Os voluntários assinaram a lista de presença com coragem, precisão, sabedoria, conhecimento, muita bravura e determinação.

Escolher caminhos, planejar trajetos, realizar procedimentos e enfrentar desafios foram metas arriscadas que deram certo. Ainda bem!

Com fé, confiança, orações e  envolvimento das pessoas, vimos  o incerto se transformar em possibilidades, salvamento e aprendizagem.

 

"O tempo passou e me formei em solidão"

Escrito por José Antônio Oliveira de Resende. Publicado em Blog.

Créditos: José Antônio Oliveira de Resende 
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho, porque a família toda iria visitar algum conhecido.

Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite. Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita.

Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um. "Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre". E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia. "Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!"

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora.

A nossa também era assim. Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha - geralmente uma das filhas - e dizia: "Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa."

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa. Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também.

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