Ensinar e encantar

Escrito por Sônia Licursi. Publicado em Educadores.

 
 
O ensinar é o nascimento do saber que se dá na  relação professor e aluno. O saber do professor e a qualidade afetiva para transmitir o conhecimento é um processo.  Assim todos são convidados a participar.
Ensinar com naturalidade dá a luz ao conhecimento,  ilumina a inteligência e a autonomia dos alunos. 
O professor vocacional autoriza, encanta e facilita as descobertas do aluno, percebendo o quanto o saber e fazer desse professor aponta caminhos e estimula o pensar.
Uma didática que encanta o aluno, que aprende e se encanta com as trocas, as descobertas, os conhecimentos e os afetos.
Podemos pensar e fazer uma retrospectiva da vida escolar e da qualidade do ensinar, observando como aprendemos e em que modelos nos espelhamos para fazer igual ou para nos distanciarmos de determinadas áreas do conhecimento. Podemos lembrar das dificuldades do aprender e daquele  professor que nos ajudou a transformar e a enfrentar os desafios, estimulando o pensar e o avançar de uma forma positiva e compreensiva.
Vale relembrar dos professores que com sua forma de ensinar não conseguiram chegar em nós ou identificar a dificuldade. Uma didática que não aproxima o aluno do conhecimento, apenas cria distâncias, rotula e nomeia o lugar do não saber.
Ensinar é um processo de construção de significados que estimula o intelectual e o emocional. Ensinar produz  aprendizagens
É uma arte didática do professor, uma habilidade, uma preparação, uma competência vocacional! 
A didática do professor encanta e realiza com o aluno o lugar encantador do aprender.
 
Inspirado no texto: Sobre Didática por Eugenio Mussak - vida simples - setembro de 2016 
 

Lá em casa

Escrito por Thais Bechara. Publicado em Blog.

Lá em casa o dia começava cedo.

Mamãe, antes de sair de casa para trabalhar, oferecia uma vitamina substanciosa para garantir a alimentação dos filhos. Não tínhamos opção! Era tomar ou tomar.

Por volta das nove horas, éramos chamados para tomar o café da manhã. Tinha misto quente feito no tostex, café com leite, gemada, banana amassada com açúcar, leite Ninho e Nescau. Ainda consigo sentir os aromas, os gostos e a alegria de começar o dia.

Se a lição de casa não estivesse feita, nada de brincadeira. Primeiro a responsabilidade!

O quintal lá de casa era famoso na vizinhança! Era palco de muito jogo de futebol com a turma. Tinham meninos e tinha menina jogando. Era um acontecimento quase que diário! Alguém sempre precisava sair do jogo por causa de algum acidente (joelho esfolado no chão de cimento, dedão do pé sangrando, perna com hematomas...). Fazia parte da vida! A maleta de primeiros socorros ficava sempre preparada para emergências.

Esse quintal tinha o formato de L. Começava no portão verde e ia até a porta da garagem. Quando pequenos, achávamos  o espaço  largo e longo. Hoje esse espaço não é tão grande como parecia ser! Coisas da idade!

Nesse quintal, teve festa de aniversário, festa junina, comemoração do Dia das Crianças (o presente era a brincadeira com os amigos), batizado de gato, corrida de kart, encontros marcados, conversas no alpendre e balanços na rede.

Nesse quintal, na parede perto da cozinha, tinha pendurada uma lousa. Lá era a minha sala de aula! A brincadeira de escolinha acontecia todos os dias! Meus alunos eram minhas bonecas e meus gatos.  Ainda hoje, tenho a esperança de ter conseguido alfabetizar alguns  desses estudantes! Com certeza, nessa época, minha escolha profissional estava definida.

Nesse quintal, moravam meus amigos imaginários: Beleléu, Ratite e Lelis. Beleléu (uma árvore) era o amigo mais íntimo. Trocávamos confidências! Quantos segredos revelados! Deixei de ter contatos com eles quando mudamos de casa e de cidade! Não tive sequelas com a separação. Coisas de criança!

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