É brincadeira de menino ou brincadeira de menina?

Escrito por FLÁVIA G PINHO. Publicado em Pais e Filhos.

 
 
Nem uma nem outra. Entenda por que é tão importante deixar que a criança escolha livremente como quer brincar.
Menino usa azul e brinca de carrinho; menina gosta de rosa e só liga para bonecas. Convenhamos, essa história não convence mais. Se os adultos já estão se livrando dessas camisas de força e assumindo novas funções, por que não permitir que as crianças façam o mesmo? Este é um território, no entanto, ainda repleto de medo e preconceito, como observa a psicóloga Sônia Maria Marcondes Licursi, diretora da  Associação Brasileira de Psicopedagogia e uma das autoras do blog Conversando com Educação. Nesta entrevista exclusiva, ela revela como a questão deve ser encarada de frente pelos pais – e todos os benefícios que uma mudança de postura pode proporcionar ao seu filho.
 
Mulheres já dirigem carros e atuam em profissões de risco, enquanto homens cuidam dos filhos e da casa. No entanto, as brincadeiras ainda têm fronteiras bem definidas. Por quê?
Somos nós, os adultos, que erguemos esse muro. Essa rotulação ainda está ligada ao preconceito. Sem querer, acabamos reproduzindo crenças familiares e sociais de que a brincadeira vai estimular definições sexuais – o que não acontece, uma vez que essa escolha se dá pela interação de fatores biológicos e ambientais bastante diversos e complexos.
 
Que mensagem os pais passam aos filhos quando limitam suas brincadeiras por questões de gênero?
Impedir a criança de brincar é o mesmo que limitar a construção de suas experiências. E tanto faz se essas limitações são transmitidas de forma direta, como “Não quero que você brinque de boneca”, ou indiretamente. O menino que não pode brincar de boneca, por exemplo, perde a oportunidade de vivenciar situações que serão importantes no futuro, como cuidar carinhosamente do outro, exercendo a função paterna. Se os pais afirmam que brincar de boneca é coisa de menina, essa será a mensagem transmitida: cuidar de crianças é só para mulheres. Da mesma forma, impedir que uma menina brinque de bombeiro passa a mensagem equivocada de que força e coragem não fazem parte do universo feminino.
 
O que acontece quando a criança tem a chance de pular esse muro?  
Quando está livre para explorar suas curiosidades e descobertas, a fim de aproveitar as brincadeiras em todas as suas possibilidades, e quando pode escolher que funções quer dar a cada brinquedo, a criança tem a oportunidade de desempenhar papéis, treinar habilidades criativas, sociais e espaciais, resolver conflitos e muito mais. Brincar de casinha, de boneca ou de carrinho deve fazer parte do universo das meninas e dos meninos por igual. São experiências muito próximas da rotina que as crianças observam nas tarefas dos adultos. Com isso, elas constroem seu universo cognitivo e emocional de forma mais completa.
 
http://mdemulher.abril.com.br/familia/e-brincadeira-de-menino-ou-brincadeira-de-menina/
 
http://www.revistabemfeminina.com.br/conteudo/e-brincadeira-de-menino-ou-brincadeira-de-menina
 

O papel do amigo imaginário no desenvolvimento da criança

Escrito por Flávia G Pinho. Publicado em Pais e Filhos.

 
iStock
 
Essa intrigante criatura invisível pode ser mais importante do que você pensa.
De repente, os pais percebem que o filho está falando sozinho. Conversa, ri, brinca e até discute com alguém que só ele vê. Pode parecer estranho, mas o amigo imaginário é um fenômeno bastante comum – e não deve ser motivo de preocupação. Pelo contrário, sua presença é fundamental para o desenvolvimento infantil, segundo a psicóloga Sônia Maria Marcondes Licursi, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia e uma das autoras do blog Conversando com Educação. Nesta entrevista exclusiva, ela explica quem é essa figura tão intrigante, seu papel na vida da criança e como os adultos devem agir.
 
Quem é o amigo imaginário?
É um personagem que nasce da criatividade da criança e da sua necessidade de preencher a realidade de forma acolhedora e segura. Ela tenta integrar experiências do cotidiano e torná-las acessíveis ao seu mundo e à realidade que não compreende e não consegue absorver. Com esse amigo, a criança fala das alegrias e tristezas, dos desejos e conquistas, projeta comportamentos e emoções – ele se torna uma extensão da criança, que oferece suporte, segurança e proteção emocional.
 
Em que faixa etária costuma aparecer?
Surge por volta dos 3 anos. Coincide com o desenvolvimento da linguagem oral e com o uso da imaginação. E geralmente se manifesta em situações que a criança considera ameaçadoras, como o nascimento de um irmão, a separação dos pais, a entrada na escola nova, a mudança de casa, uma doença na família ou a perda de alguém querido.
 
Toda criança tem amigo imaginário?
A maioria tem, mas não todas. E nem sempre o amigo imaginário está personalizado e tem um nome. Ele pode aparecer na figura de um objeto, por exemplo. Na brincadeira, uma boneca ou um super-herói podem cumprir esse papel, permitindo à criança desenvolver uma conversa interna.
 
Quanto tempo costuma durar essa relação?
O tempo necessário para a criança aprender a lidar com as  angústias infantis e fortalecer o emocional. Dos 3 aos 5 anos, a imaginação está muito presente na vida infantil; é alimentada pelos contos de fadas e pelos super-heróis, o que contribui para o ato criativo. Nessa fase, ela vai usar o personagem como defesa e proteção, para se desculpar de situações embaraçosas. No entanto, à medida em que aprende a elaborar e expor sentimentos, a criança vai se sentindo mais segura. Com 7 anos, tende a se despedir do amigo imaginário, pois os amigos reais se mostram muito mais interessantes.
Como os pais devem lidar com a situação?
Devem respeitar as necessidades da criança e aproveitar para conhecê-la melhor. A relação com o amigo imaginário traz possibilidades ricas para começar uma boa conversa, descobrir as angústias infantis e oferecer acolhimento. É importante observar em que contexto o fenômeno se manifesta: se acontece no ambiente familiar, na escola ou em outro grupo social. E também analisar as emoções que são projetadas nas histórias. Se o relacionamento com o amigo imaginário revela situações agressivas e violentas, ou que tiram a criança do mundo real, é aconselhável consultar um psicólogo.
 
 
 
 
 
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