Perturbação do Espectro do Autismo (Critérios do DSM-5): Segundo a perspetiva de um adolescente com autismo

Escrito por Joana Collaço. Publicado em Blog.

 Foto Psicóloga JOANA COLLAÇO

Perturbação do Espectro do Autismo (Critérios do DSM-5): Segundo a perspetiva de um adolescente com autismo
 
Aos quatro anos fui diagnosticado com perturbação do espectro do autismo. A partir desse dia a minha vida mudou e passei a viver em função de uma rotina repleta de terapias. Hoje tenho 16 anos e a única terapia que mantenho é a psicologia. Segundo a minha psicóloga, a minha perturbação é uma perturbação do neurodesenvolvimento caracterizada, segundo os critérios clínicos (DSM-5), por um modelo de dois domínios que engloba: défices na comunicação e interação social e, padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Com ajuda da minha psicóloga analiso, de seguida, se me enquadro nestas características:
 
1.Défices persistentes na comunicação e interação social:
 
  • Défices na comunicação não verbal usada na interação social
 
Comunicar e interagir socialmente com outras pessoas, desde sempre, me causa uma grande ansiedade. Para mim, é muito difícil perceber e responder de forma adequada às outras pessoas. Estar a olhar para uma pessoa a falar é insuportável, porque ao mesmo tempo que a pessoa está a dizer algo, com flutuações no tom de voz e pausas no discurso que não entendo, também está a fazer mil e uma expressões com a cara e com as mãos. É como se todas estas imagens diferentes entrassem, ao mesmo tempo, no meu cérebro e eu não conseguisse descodificar, acabando por não prestar atenção àquilo que a pessoa disse. Assim, quando as pessoas falam para mim, eu desvio o olhar para outro sitio e tento concentrar-me somente no que a pessoa está a dizer. A minha psicóloga ensinou-me a interpretar todo um conjunto de expressões faciais das pessoas. Disse, que se uma pessoa levantar a sobrancelha isso pode querer dizer: “Acabaste de dizer um grande disparate”; “És muito giro, queres sair comigo?”; “Não percebi nada do que disseste”. Quando ela me disse isto pensei, como é que as pessoas interpretam tudo isso sobre uma mera sobrancelha, que para mim é apenas um aglomerado de pêlos que serve para proteger os olhos.
 
  • Défices no desenvolvimento e manutenção de relacionamentos apropriados à idade
 
No outro dia um professor disse-me: “tens de dar o braço a torcer”. Fiquei completamente chocado! Como é que ele teve a coragem de dizer aquilo? Porque motivo haveria ele de querer que eu lhe desse o meu braço para ele torcer? Só esta imagem fez-me entrar em pânico. Quando cheguei à psicóloga, ela explicou-me que as pessoas falam muito por expressões idiomáticas: ” tive um dia de cão”; ”dar o braço a torcer”; ”dar com a língua nos dentes”; “estar com a pulga atrás da orelha”. Quando tento visualizar esta última frase na minha cabeça, só me confunde, porque imaginar uma pulga –  sifonáptero da ordem dos insetos sem asas, que se alimenta do sangue de mamíferos – atrás de uma orelha, nada tem a ver com o significado que as pessoas atribuem de “estar desconfiado”. Para além destas expressões, há também as metáforas e a ironia que são ainda mais difíceis de compreender e dar resposta.
 
  • Défices na reciprocidade socio-emocional
 
Tal como disse anteriormente, interpretar expressões faciais, perceber os estados emocionais da pessoa e retribuir com um simples “estás bem?” ou um simples abraço de conforto, é muito complexo.  Para mim, dar abraços e beijinhos é constrangedor, porque não consigo atribuir isso a uma sensação agradável. Contudo, nós nunca negamos o afeto e alguns dos meus amigos com esta perturbação apresentam até, uma fixação pelo cheiro (perfume), pelo tocar na cara de pessoas que lhes são familiares, procurando o contacto físico e querendo dar e receber carinho constantemente.

Vidas que vem e que vão

Escrito por Sonia Licursi. Publicado em Blog.

 
Vidas que vem e que vão
Um telefonema...
Um amigo que voa 
Uma luz, uma despedida
Susto, tristeza, indignação.
Abraços saudosos 
Sentimento dolorido 
Olhares tristes e ao mesmo tempo
um bom sentimento no reencontro com velhos amigos
Despedidas, promessas de novos encontros.
Vidas que vem e que vão
O tempo passa...
Chega uma foto 
Um recado 
Uma visita
Uma longa conversa
O tempo de escola dos filhos
Brincadeiras, viagens, descobertas
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Recordando e brindando a vida
Vidas que vem e que vão
Histórias que vem e que vão.
Tragédias
Tristezas
Limites
Impotências
Dor e sobrevivência
Luto 
Despedidas
Muitas dores e lágrimas
Vidas que vem e que vão
Histórias que vem e que vão
Vidas que seguem...
Lembranças que ficam no coração.
 
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