Porque nem todas as “Madrastas” são como a da Cinderela

Escrito por Joana Collaço. Publicado em Pais e Filhos.

Posted on October 17, 2016/ Joana Collaço/ foto https://joanacollaco.com

Os meus pais separaram-se quando eu tinha quatro anos. Na altura, era muito pequena para entender o que se estava a passar, por isso, acho que até aceitei bem essa situação. A minha mãe tem uma profissão que a faz viajar muito e, naquela altura, eu fiquei a viver com o meu pai. Viver com o meu pai era como estar a viver num castelo encantado. Eu era a princesa dele, fazíamos tudo juntos: cozinhávamos, passeávamos, víamos televisão e muitas vezes dormíamos juntos. O meu pai era o meu herói! Durante anos, fomos só nós os dois e eu era muito feliz assim.  Quando tinha nove anos de idade, fomos ao jardim zoológico e o meu pai perguntou-me se podia levar uma amiga. Eu estranhei, pois o meu pai nunca me tinha falado em tal amiga, mas para ele não ficar triste, acenei dizendo que sim. Ela foi ter connosco à porta do jardim zoológico, era alta, magrinha, muito gira e tinha um sorriso enorme – parecia que ia matar saudades de alguém, facto este que não me agradou. Passámos o dia todo juntos e houve coisas que eu não “curti” nada: trocas de olhares; sorrisos; gargalhadas; vi-os a darem as mãos, coisa que eu não permiti e fui logo a correr para tentar separá-los. O dia terminou e finalmente chegámos a casa. Eu tentei entreter o meu pai com mil e uma coisas, para não ter de ouvir a única pergunta que eu tinha estado o tempo todo a evitar: “Então o que achaste da minha amiga?” Naquele momento pensei em muitas coisas horríveis para lhe responder, mas acabei por responder apenas: “É simpática, mas prefiro quando estamos só nós os dois.”

O tempo foi passando e para minha infelicidade, o meu pai começou a levá-la para alguns passeios que fazíamos juntos. Até que um dia, convidou-a para jantar lá em casa. Ele fez a minha comida favorita (até aí tudo bem), vestiu-se como um príncipe e o jantar até correu bem, mas depois o meu pai disse para eu me sentar no sofá porque eles tinham uma coisa para me contar (como se eu não soubesse que eles eram namorados): “Eu e a… gostamos muito um do outro e estamos a pensar viver todos juntos.” O QUÊ ?! Eu pensava que me iam contar que eram apenas namorados, não que aquela “senhora” ia viver connosco.  Naquele momento, eu respondi que não queria, fui a correr trancar-me no quarto e chorei até adormecer. No dia seguinte, o meu pai foi falar comigo e prometeu-me que nada na nossa relação ia mudar.  No fim-de-semana a seguir, ela foi lá para casa e eu não reagi muito bem. O meu pai disse que nada entre nós ia mudar, mas para mim tudo estava a mudar, tudo era bem diferente. Ao contrário das minhas amigas que tinham pais separados, eu não sentia que ela ia ocupar o lugar da minha mãe e muito menos que o meu pai estaria a trair a minha mãe, até porque eu já tinha superado a situação de separação dos meus pais e a minha mãe também já tinha um namorado. O que eu senti foi que tinha perdido toda a atenção do meu pai, ou melhor, que tinha de dividir a atenção com ela. Pior, senti ainda que o meu pai já não gostava de mim como antes e isso irritou-me muito! Durante os primeiros meses, eu fazia-me de amiga dela à frente do meu pai porque não queria que ele ficasse chateado comigo, mas quando ficávamos as duas sozinhas, eu gritava, portava-me mal e cheguei a dizer coisas que hoje, com os meus 16 anos, considero muito más: “não és minha mãe”; “não sabes nada disso porque não vivias connosco”; “tu não mandas aqui”. Eu aproveitava-me porque sabia que ela tinha medo que eu fosse dizer ao meu pai mal dela.

Aprendendo a conhecer o mundo.

Escrito por Thais Bechara. Publicado em Pais e Filhos.

 

Sabemos que alguns pais têm medo de dizer não e contrariar os filhos. É evidente a preocupação dos adultos com os efeitos emocionais que podem causar o enfrentamento com o limite imposto, durante todo o processo de crescimento dos filhos.

A ideia de viver uma vida feliz é o desejo de todo mundo, mas é certo que em alguns (ou até vários) momentos, nesta busca pela felicidade, deparamo-nos com frustrações, tristezas, desafios, aborrecimentos e choros.

Pais devem ajudar as crianças e os jovens a se desenvolverem para que estejam prontas a viver neste mundo moderno, que saibam tomar decisões e tenham foco em si e nos outros. Atenção e cuidado dedicados aos filhos são necessários sempre e as interferências feitas são essenciais para a formação do sujeito.

Observar as relações de pessoas que nem conhecemos é uma tarefa interessantíssima, para refletirmos o que está acontecendo nos contextos familiares e nas deliberações educacionais.

Conversando com Educação - 2013. Desenvolvido por