Nada melhor do que um dia atrás do outro.

Escrito por Thais Bechara. Publicado em Pais e Filhos.

A vida é cheia de acontecimentos.

Passamos por fases em que somos convidados para casamentos, nascimentos, formaturas e festas de todo tipo. Aí o tempo vai passando e a vida vai nos impondo novas situações. Enfrentar o luto de uma pessoa muito próxima é exatamente ter a oportunidade de amadurecer mais um pouco.

Não ser mais um vagão e se tornar a locomotiva é uma árdua tarefa!

De um dia para o outro, a rotina deixa de existir! Se de um lado tem a possibilidade do alívio e do descanso, por outro lado vem a perspectiva de lidar com o novo e com o desconhecido.

Sentimento de perda, de vazio, de indignação, de falta, de tristeza, de raiva e de esperança se embaralham. Muito envolvido nessa trama de morte, sem mais e sem menos, em pleno luto, chega a hora de desmontar uma casa, vasculhar um lar que nunca foi seu e se desfazer de grande parte das coisas que essa pessoa achava importante em ter e guardar.

É incrível como, ao longo de nossa trajetória, acumulamos inúmeros papéis, vários documentos, inesquecíveis fotos, longas cartas, belos quadros, pequenas mensagens, infinitos recados e algumas agendas. Isso sem contar as roupas pessoais, os calçados novos e velhos, as roupas de cama, mesa e banho, as tesouras, as ferramentas, os utensílios de cozinha. Tem os móveis, os eletrodomésticos, as panelas, os cristais da família...

Tudo isso nos faz lembrar que não teremos mais aquele almoço de domingo, aquele presente especial, aquela mesada mensal que nunca foi interrompida desde a adolescência, aquele sorriso e aquela mania que era sua marca registrada.

Hoje não precisa mais fazer café e se passar a hora do remédio também não terá a mínima importância.

Depois de entrar no mais alto grau da intimidade (abrir as portas dos armários, fuçar cada gaveta, olhar e fazer escolhas), vai para o lixo o papel rasgado, o documento que não é mais válido. Nessa busca surgem as lembranças e descobertas que  nos fazem sorrir e chorar. Não importa! Continuamos remexendo, revirando, separando.

“O que ele fazia com isso”? “Por que tal coisa foi guardada”? “Quem vai querer?

E de arrumação em arrumação a casa vai ficando cada vez mais vazia!

E vamos dando, guardando, doando, vendendo e se desfazendo das coisas que uma pessoa levou a vida inteira para ter e “chamar de seu”.

Com o lugar vazio a sensação de nunca mais é muito forte!

Assim é a vida! Outras histórias serão contadas! Outras pessoas ocuparão aquele espaço físico, mas no coração terá sempre um lugar especial!

É assim que a vida nos ensina! É assim que vamos aprendendo!

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