O papel do amigo imaginário no desenvolvimento da criança

Escrito por Flávia G Pinho. Publicado em Pais e Filhos.

 
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Essa intrigante criatura invisível pode ser mais importante do que você pensa.
De repente, os pais percebem que o filho está falando sozinho. Conversa, ri, brinca e até discute com alguém que só ele vê. Pode parecer estranho, mas o amigo imaginário é um fenômeno bastante comum – e não deve ser motivo de preocupação. Pelo contrário, sua presença é fundamental para o desenvolvimento infantil, segundo a psicóloga Sônia Maria Marcondes Licursi, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia e uma das autoras do blog Conversando com Educação. Nesta entrevista exclusiva, ela explica quem é essa figura tão intrigante, seu papel na vida da criança e como os adultos devem agir.
 
Quem é o amigo imaginário?
É um personagem que nasce da criatividade da criança e da sua necessidade de preencher a realidade de forma acolhedora e segura. Ela tenta integrar experiências do cotidiano e torná-las acessíveis ao seu mundo e à realidade que não compreende e não consegue absorver. Com esse amigo, a criança fala das alegrias e tristezas, dos desejos e conquistas, projeta comportamentos e emoções – ele se torna uma extensão da criança, que oferece suporte, segurança e proteção emocional.
 
Em que faixa etária costuma aparecer?
Surge por volta dos 3 anos. Coincide com o desenvolvimento da linguagem oral e com o uso da imaginação. E geralmente se manifesta em situações que a criança considera ameaçadoras, como o nascimento de um irmão, a separação dos pais, a entrada na escola nova, a mudança de casa, uma doença na família ou a perda de alguém querido.
 
Toda criança tem amigo imaginário?
A maioria tem, mas não todas. E nem sempre o amigo imaginário está personalizado e tem um nome. Ele pode aparecer na figura de um objeto, por exemplo. Na brincadeira, uma boneca ou um super-herói podem cumprir esse papel, permitindo à criança desenvolver uma conversa interna.
 
Quanto tempo costuma durar essa relação?
O tempo necessário para a criança aprender a lidar com as  angústias infantis e fortalecer o emocional. Dos 3 aos 5 anos, a imaginação está muito presente na vida infantil; é alimentada pelos contos de fadas e pelos super-heróis, o que contribui para o ato criativo. Nessa fase, ela vai usar o personagem como defesa e proteção, para se desculpar de situações embaraçosas. No entanto, à medida em que aprende a elaborar e expor sentimentos, a criança vai se sentindo mais segura. Com 7 anos, tende a se despedir do amigo imaginário, pois os amigos reais se mostram muito mais interessantes.
Como os pais devem lidar com a situação?
Devem respeitar as necessidades da criança e aproveitar para conhecê-la melhor. A relação com o amigo imaginário traz possibilidades ricas para começar uma boa conversa, descobrir as angústias infantis e oferecer acolhimento. É importante observar em que contexto o fenômeno se manifesta: se acontece no ambiente familiar, na escola ou em outro grupo social. E também analisar as emoções que são projetadas nas histórias. Se o relacionamento com o amigo imaginário revela situações agressivas e violentas, ou que tiram a criança do mundo real, é aconselhável consultar um psicólogo.
 
 
 
 
 

Uma comunicação com o coração

Escrito por Conversando com Educação. Publicado em Pais e Filhos.

foto Joana Collaço
 
Nós, do Conversando com Educação, queremos compartilhar a crônica "Da separação à alienação parental! " de Joana Collaço que com muita clareza e sensibilidade teceu a visão de um jovem e sua emocionada experiência ao falar  das lembranças  da infância,  da comunicação dos seus pais sobre a separação, os sentimentos e atitudes na guarda compartilhada.
 
É uma leitura preciosa para todos nós: pais, filhos, avós, professores, psicopedagogos, psicólogos, que nos tocará muito  e nos fará entender o sentimento da criança, do adolescente e do adulto sobre a nova situação com dicas interessantes.
 
Clique e se emocione:
https://joanacollaco.com/2016/06/02/da-separacao-a-alienacao-parental/
 
Joana Collaço
http://joanacollaco.com/
Psicóloga com o mestrado em psicologia educacional, formação em terapia cognitiva e comportamental com crianças e adolescentes, pós-Graduação em neuropsicologia entre outras formações. Vive em Portugal. As crónicas têm o intuito de partilhar com os pais, professores e todos os interessados, aquilo que pode ser o ponto de vista de algumas crianças/adolescentes sobre os mais diversos temas e problemas do mundo que os rodeia.
 
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